segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Razões para acreditar


Existe um motivo pelo qual eu deliberadamente evito mencionar o nome de Deus em qualquer pedaço de rascunho que eu já escrevi por aí. E é tão simples quanto profundo: existem mais coisas entre o céu e a terra do que eu ousaria comentar de uma maneira tão vil. Algumas coisas são preciosas demais para serem definidas. E alguns nomes são sagrados demais para serem comentados em vão. Pelo menos é assim que eu enxergo as minhas crônicas. Crônicas que, pensando bem, nada mais são realmente do que depoimentos. E digo isto hoje porque depois de um depoimento em especial, tudo mudou.

Eu, como qualquer outra pessoa que também possa imaginar, sou alguém que sempre precisou de esperança. Fosse nos momentos bons ou ruins, esperança é algo que nos move o tempo todo. É o que nos tira da cama pela manhã e que nos ajuda a pegar no sono à noite. Porque apesar da cabeça já estar apoiada em um confortável travesseiro, às vezes o que se passa dentro dela está longe de ser reconfortante. As preocupações, as inseguranças, os medos e tudo mais que possa nos afastar de ter um momento de paz parecem ganhar suas forças à noite. Há quem diga que seja coincidência, mas eu aprendi que isto não existe.

Existe um plano. De alguém muito especial que nem sempre a gente se lembra de agradecer. Para falar a verdade, é alguém que muitas vezes eu parei para considerar sinceramente se estava mesmo por aí ou não. Mas Ele está e muito; só não aonde possamos vê-lo. Tudo nesta vida é providência, mas nem tudo é visível. São as pequenas coisas, os detalhes minuciosos, os enigmas do dia-a-dia que parecem insignificantes por não conseguirmos decifrá-los na hora em que passam por nós. Sempre existe algo a mais neles. O que, por sua vez, me fez reconsiderar a minha velha teoria sobre a minha vida sempre ter sido regida por ironias do destino e uma necessidade quase visceral de enxergar metáforas por todas as partes – e de tentar interpretar o que elas querem mesmo dizer. Metáforas que, do latim, talvez signifiquem mesmo parábolas. Histórias que Ele sempre contou aos seus discípulos, porque estes precisavam encontrar a verdade por si próprios em vês de serem empurrados ao caminho certo. Ele sempre soube a resposta – que Ele, inclusive, é a resposta – mas é preciso perseverar para descobrir isto. Felizmente ou infelizmente, isto não é para todos. E por muito tempo também não foi para mim.

Desde quando consigo me lembrar, de que me conheço por gente e de que me atrevo a colocar-me diante de mim mesmo para tentar decifrar o que as coisas que acontecem comigo querem mesmo dizer, eu me senti quebrado. No sentido de que nunca consegui encontrar as respostas, nem mesmo o caminho que pudesse sentir que fosse o meu a ser trilhado. O lugar certo e a hora certa pareciam sempre estar a um amanhã de distância que nunca chegava a conhecer. Mas há um plano: o problema está em achar que este plano é nosso.

Quando eu paro pra pensar sobre isto hoje, eu consigo perceber tão claramente quantos sinais já passaram por mim. Alguns ainda pude compreender e os segui adiante, enquanto outros optei por ignorar por pensar que estivessem destinados a outra pessoa. Como alguém que acena para nós na rua e a gente pensa que é pra gente, depois tenta disfarçar quando percebe que era para o cara do lado. Tem sido uma vida inteira disso. Mas eu sempre estive sendo movido por algo. Por Alguém que sempre soube o que estava fazendo, mas que antes de que qualquer coisa pudesse acontecer, precisava que eu percebesse isto também. O que explica perfeitamente os momentos que considerei como desvios de percurso.

Como eu disse em meu testemunho – que posso considerar como o divisor de águas na minha vida entre um mundo antigo e o novo – eu demorei muito para chegar até aqui. Em parte porque não sabia para onde queria ir. Também porque não queria muito saber, nem por quanto tempo eu continuaria vivendo assim. Sentir-se quebrado significa que não há nada a perder e que tudo é possível, até o ponto em que senti a minha esperança acabar. Foi o que mexeu comigo. E me fez pensar que havia uma vida aqui que não estava sendo aproveitada conforme foi abençoada para ser.

Eu não queria mais ser quebrado. E quando eu menos esperava, gostaria de dizer que eu o encontrei. Mas não. Ele me trouxe de volta. Na hora e no lugar certos, conforme a Sua vontade.

É claro que eu ainda cometerei erros. Que haverão momentos de medo e dúvida. De solidão e de fraqueza. Eu nunca quis me considerar muito humano com os outros, muito menos comigo mesmo. Pela mesma fraqueza que eu sempre evitei admitir que possuo. Mas nós somos humanos no final das contas. Felizmente a fraqueza não é o que nos define. O amor nos define. O Seu amor.

Eu não quero parecer hipócrita em escrever estas coisas, depois de tantos anos evitando e renegando algo que parecia inexistente. Só que nada mais pode explicar tudo o que vivi e que me trouxe até aqui, são e salvo. Era um plano. Apenas não era meu.

Por mais que eu pense que demorou muito para que eu chegasse até aqui, Ele sabia que levei o tempo que precisou. Enfim, com alegria e gratidão, eu me sinto curado. Ainda sou eu: falando coisas impróprias em momentos inoportunos, cometendo erros que já cometi antes, sentindo frustrações, raiva, angústia e tristeza que não deveriam me pertencer. Mas eu me sinto diferente. Desta vez quando eu penso que nós ficaremos bem, no fundo do meu coração eu acredito.

Eu cheguei. Por Deus, eu cheguei. Obrigado.