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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fé, e outros rascunhos


A cada dia que passa, eu tento me situar um pouco mais com a minha nova realidade. Uma realidade que, neste caso, envolve Foz do Iguaçu: uma das cidades mais dinâmicas em termos de turismo, cultura, entretenimento e possibilidades de vida em níveis internacionais. São tantos restaurantes, casas de shows, museus, parques temáticos, maravilhas da natureza...  Que às vezes eu me surpreendo um pouco com o quanto eu fico entediado em casa.

Porque, sinceramente, viver cansa. Explorar novos lugares pode ser trabalhoso. Provar novas cozinhas pode ser caro. E ter novas experiências tem lá a sua famigerada margem de erro. É fácil arquivar algo como “experiência” depois de ter passado por momentos de desgosto e estresse. Mas a minha meta hoje vai além de tudo isso. Minha meta hoje é de aprender a ser feliz, tranqüilo e grato pelo que eu tenho: uma oportunidade de recomeçar, o tempo e a infra-estrutura o suficiente para fazer isto.

Isto é, até aquele teste.

***

Dia desses eu fiz um teste online sobre traços de personalidade e sabotadores mentais que anulam a sua inteligência, dentre outras palavras-chave muito atraentes que me seduziram a clicar em “aceito sem ler os termos deste teste que pode ou não coincidir com uma resposta que você procura neste momento”. E de acordo com nossas análises, Igor, clique neste outro link e leia em preto e branco os resultados que obtivemos através do nosso longo e repetitivo questionário sobre como você lida com estresse, situações-problema e outras neuroses cotidianas. E ainda geraram os resultados em inglês, para dar mais credibilidade na nomeação dos meus déficits.

Enfim, a aleatoriedade do questionário – que, devo deixar claro, não influenciam em nada na sabedoria milenar que envolve a produção de biscoitos chineses da sorte – decidiu que o meu problema é o excesso de autocrítica, mas em um sub-nível diferente: a hiper realização. A necessidade constante de atingir novas conquistas e de, conseqüentemente, atribuir a minha auto-estima a elas.

O que fez todo o sentido para mim hoje, que vivo em uma cidade que comporta inúmeras possibilidades e que desperta em mim a constante necessidade de explorar ao menos uma delas por dia. Porque eu decidi mudar de vida e decidi que isto deverá valer a pena – o quanto antes, porque meu tédio é inversamente proporcional à minha ansiedade. Será que isto caberia em uma fórmula ou algo do tipo?

***


Ok. Digamos que seja só coisa da minha cabeça, e que não haja nada nem ninguém me cobrando resultados que aparentemente eu não estou entregando ainda. Seja através de viver novas experiências ou finalmente cumprir velhas promessas de ano novo. Eu não sei. Mas em um novo capítulo das minhas irônicas desventuras, fiz uma limpa na pilha de rascunhos que compõe mais da metade da minha mesa e encontrei um que me chamou a atenção:

 

Talvez fosse mesmo uma crise existencial; a eterna procura por algo a mais, ou o teste definitivo pelo qual todos os seres humanos eventualmente passam durante o curso da vida – o da fé. Fosse o que fosse, decidi que valeria a pena dedicar o meu sábado para explorar outras partes de Foz do Iguaçu, como o famoso templo budista, na esperança de encontrar mais algum sinal. Mas só o que encontrei foi o aviso no muro de entrada: horário de funcionamento das 9h30 às 16h30. E às exatamente 16h36, eu senti que parte da minha fé ficou abalada.

Em seguida decidi visitar outro templo; a mesquita que reúne a segunda maior comunidade muçulmana do Brasil... também fechada para visitação.

Por último, a caminho de volta para casa, passei pela igreja católica matriz – com uma grande placa que dizia “EM OBRAS” bem em frente à porta principal. E a essa altura pensei que o problema não fosse a minha fé, mas a minha falta de planejamento.

***

No final das contas, eu decidi que meus pensamentos não estavam realmente voltados para fé, ou o segredo da vida, ou a psicologia da minha inquietação. Minha necessidade instintiva de encontrar uma resposta satisfatória eventualmente sossegou com o entardecer e deu brecha para uma nova teoria, representada pela fórmula abaixo:


***

Independente dos meus questionamentos, Foz do Iguaçu está fazendo jus à sua proposta turística de pelo menos levar a minha mente a novos rumos... mesmo que eu acabe com dor de cabeça em um beco sem saída. Tudo bem; vale como experiência.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Três semanas depois...


...eu vi a minha vida passar diante dos meus olhos. Ou melhor, a minha vida anterior a esta. Na verdade é estranho tentar colocar em palavras o que eu fiz porque ainda é algo que não faz muito sentido. Mas em termos objetivos, eu estive em Cascavel, no interior do Paraná pela primeira vez desde que me mudei para Foz do Iguaçu. Para você que não me conhece e por acaso trombou com este link, jamais entenderá o que isso quer dizer. Mas para você que me conheceu enquanto eu ainda morava por lá, eu sei que isso parece mais claro.

O enredo: há seis anos eu me mudei para a cidade de Cascavel com o intuito de estudar Jornalismo. Mas planos são coisas tão frágeis e propensas a mudanças como, bom, pessoas. E entre tantos desvios que a gente faz na vida, desde mudar de idéia até mudar de CEP, eu optei por cursar outra faculdade – a de Psicologia. E a minha história em Cascavel se desenrolou desde o primeiro dia de aula do curso “errado” até alguns meses após o dia da minha formatura do curso “certo”... Até eu descobrir mais uma vez nesta vida que certo e errado não existem, e que no final das contas eu estava pronto para ingressar um mercado de trabalho, mas não o que eu realmente queria. Pode parecer um pouco confuso, mas por enquanto escrevo para mim e para algumas pessoas em especial que ainda acham interessante acompanhar os próximos capítulos da minha nova história: cursar Jornalismo de novo, desta vez do começo ao fim, em Foz do Iguaçu.

Eu sinto que os marcadores que ando inserindo em meus textos tem se repetido bastante, mas acredito que seja porque joguei seis anos de histórias, amizades, relacionamentos e sonhos em um ventilador e nem todos os pedaços voltaram ao chão ainda. E o que eu senti ao adentrar território Cascavelense de novo não tem outro nome: estrangeirismo. Estar de volta na cidade em que morei em três apartamentos, cursei uma graduação e meia em duas faculdades diferentes e conheci uma série de pessoas incríveis e inimagináveis, e de repente perceber que não há mais um espaço para mim lá foi devastador. Porque por seis anos – os seis anos que morei sozinho e cheguei mais próximo de alcançar a minha independência – fui eu quem havia definido bem o meu espaço, as minhas regras (que simplesmente existiam para fins decorativos) e a minha liberdade. E era eu quem descia para abrir o portão (porque o interfone nunca funcionou direito) para deixar as minhas pessoas entrarem para sentarem na sacada, beberem seu veneno de escolha e desabafarem sobre como é frustrante morar com os pais, ou como é complicado estar em um relacionamento, ou como é impossível às vezes conviver consigo mesmo.

Eu nunca fui uma pessoa fácil de se lidar. Nunca. Desde que me conheço por gente, fui complicado, estressado, convencido, egocêntrico, prepotente, arrogante e auto-destrutivo. Com um famoso dom para acolher e ser companheiro das pessoas que julguei serem merecedoras disto, porque eram pessoas inspiradoras para mim. E estou falando aqui dos meus amigos – os poucos porém insubstituíveis amigos que fiz nos últimos seis anos naquela cidade – que pretendo continuar carregando comigo; nas crises existenciais, nos dramas emocionais, nos grupos de WhatsApp e no coração. Mas me deparar com eles assim, sem emprego, sem rumo e sem saber exatamente o que fazer, foi demais para mim. Logo eles que sempre me pareceram tão determinados e destinados ao sucesso, e que invariavelmente – para mim ao menos – já se tornaram quem gostariam de ser nesta vida. Estudantes, profissionais, lendas aos meus olhos.

Não foi uma viagem fácil. E mais do que aturar a minha personalidade difícil, sempre foi pior ter que admitir em alguns momentos que eu preciso de ajuda. Que as coisas não estão indo como eu planejava porque, bom, eu não tinha um plano quando cheguei aqui – só um caminhão cheio de coisas e um único sonho em mente. O que, se me lembro bem, é bem similar ao que eu passei há seis anos, no começo daquela vida. E eu também tive muita, mas muita teimosia para aceitar que este é só o começo novamente – e que começos por via de regra são uma droga.  E foi assim que, mais uma vez, eu me deixei levar pela ansiedade de que, no final das contas, só fazem três semanas que o meu mundo mudou. Mas foi bom descobrir que o meu legado – os meus amigos e todas as histórias que escrevemos naquela cidade – permanece intacto.

Há quem diga que a vida é uma só. Há quem diga que é feita de ciclos, fases, etapas com começos, meios e fins. Quanto a mim, carrego comigo um dos princípios da minha graduação de Psicologia: eu continuarei fadado às mesmas crises enquanto continuar repetindo os mesmos padrões. Neste caso, o padrão de querer sempre mais do que tudo aqui e agora, e de ser alguém para se aspirar também. Mas eu preciso me acalmar, levar um dia após o outro e, por que não?, renovar as minhas filosofias. Da última vez em que escrevi uma história dessas, o amanhã era tudo.

Acho que agora o que posso adotar é acreditar que hoje, à beira de dois outros países, são inúmeros os caminhos que eu posso seguir. E que segundo o que a minha professora de psicanálise me desejou em uma mensagem de ano-novo, basta que eu encontre o meu e o percorra até o fim.